Tão dura, tão áspera, tão injuriosa palavra é um não!
Acordei um dia e queria voar. Olhava para o céu, pelas falhas da cortina: via pássaros, via nuvens, via aviões e discos voadores. Faltava alguma coisa... (sempre falta alguma coisa). Resolvi completar! Tirei a coberta, tirei o lençol, tirei as meias - fazia muito frio, mas todo o meu corpo parecia, cada vez mais, preso dentro de todo aquele pano. Levantei-me e abri, definitivamente, a janela. O vento levantou meus cabelos, e, foi ali que, de olhos fechados, ouvi o farfalhar das fenestras com um tom de liberdade. Voei, voei, voei... e nunca mais toquei o chão da mesma forma. Nunca mais toquei o chão. Nunca mas toquei. Não voltei.
Belo Horizonte, 2011
Pedro Lança Gomes
Criado a partir do desejo de divulgar e avaliar temas relacionados com os nossos cotidianos, esse blog abrigará os diferentes pontos de vista do que está , esteve e possivelmente estará ao nosso redor.
Opiniões, críticas, reflexões, comentários e saudações serão extremamente, e sempre, bem-vindos
sábado, 27 de junho de 2015
Reminiscências de inverno
Sim, vez ou outra… sonhei em passar
a vida de várias estradas,
sozinho, sem rumo sem nada,
seguindo os passos do sol.
E em cada esquina do tempo,
em cada nova jornada,
pobre dos olhos, amargos,
viviam à luz da ilusão
de poucos sorrisos cansados,
de vários deitares amargos,
à noite os retalhos no chão.
Clamando aos céus pelo abrigo
do frio deixado em razão
de muitas palavras perdidas.
Surda a solidão!
nem mesmo consolo me fora
a tão sonhada liberdade...
sozinho, e em vão!
Pedro Lança Gomes
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