Quando as manhãs não são o suficiente,
Quando o tempo devaneia sem sentido,
E até os sorrisos se abrem descontentes,
Os céus não remetem ao dom garrido.
Tido outrora do que se lembrar,
Foi-se o desejo de imaginar,
Como seria uma vida inteira
Buscando no céu as estrelas do mar!
Lama, chuva, pés descalços,
Sonhos, futuro, descasos...
Olhos maiores que o mundo!
Calos, sapatos, enfado,
Angústias, caminhos traçados...
A mente mais longe que tudo!
Pedro Lança Gomes
Criado a partir do desejo de divulgar e avaliar temas relacionados com os nossos cotidianos, esse blog abrigará os diferentes pontos de vista do que está , esteve e possivelmente estará ao nosso redor.
Opiniões, críticas, reflexões, comentários e saudações serão extremamente, e sempre, bem-vindos
domingo, 13 de abril de 2014
domingo, 6 de abril de 2014
Soneto da piedade
Logo ele, vida,
Que passou da idade de sonhar,
Que não conta mais as estrelas,
Que perdeu para as ondas do mar.
Logo ele, miserável,
Que abafou os cantos da alma,
Que esconde as cores dos olhos,
Que esqueceu o sabor das favas.
Logo um ser anacrônico,
Logo ser um atônito,
Torna-se então revoltado!
Habituou-se às duras mazelas,
Deixando de lado a dor.
Coitado, jamais esperava ele pelo amor...
Pedro Lança Gomes
Que passou da idade de sonhar,
Que não conta mais as estrelas,
Que perdeu para as ondas do mar.
Logo ele, miserável,
Que abafou os cantos da alma,
Que esconde as cores dos olhos,
Que esqueceu o sabor das favas.
Logo um ser anacrônico,
Logo ser um atônito,
Torna-se então revoltado!
Habituou-se às duras mazelas,
Deixando de lado a dor.
Coitado, jamais esperava ele pelo amor...
Pedro Lança Gomes
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
Homenagem a uma verdadeira mestra
Impressões são apenas mais uma prova de que as pessoas tem muito mais a oferecer do que elas mesmas imaginam. Ao nos encontrarmos pela primeira vez, pensamos ter conhecido mais uma professora: boa ou ruim; justa ou ignorante; honesta ou picareta; empenhada ou indiferente... para a maioria não tínhamos resposta, mas com certeza mostrava ser dona de um bom humor incontestável! Não conquistamos a sua simpatia logo de cara, mas ela, sem se dar conta, já nos havia cativado!
Há
pessoas que vivem para lembrar aos outros o quanto acham que são
grandiosas, há ainda quem se iluda com a falsa ideia
de que são melhores do que outros. A senhora, Luciana, constrange-nos
com sua humildade, surpreende-nos com sua simplicidade, ensina-nos com a sua
gentileza. A elegância é tanta, que há até
os que esbocem uma paixão comportada... Logo a senhora, tão
genial, tão brilhante, com mais motivos do que qualquer um aqui para
se gabar, trata-nos com equidade e nos ouve como quem escuta um amigo. Sem dúvida
fora essa nossa maior lição.
E,
enquanto vemos tantos reclamando por tão pouco, a senhora nos da outra lição:
Independentemente da adversidade que esteja vivendo, carrega no rosto o sorriso
de quem nunca desiste, e, vez ou outra, quando não há palavras para expressar, deixa que as
lágrimas sejam tão sinceras quanto precisem ser. Sua
vida é também, para todos os que talvez se esqueçam,
um exemplo de amor!
Dizer
que nos espelhamos na senhora é pretensão da nossa parte; dizer que a
admiramos é redundância; dizer que gostamos da senhora é
muito pouco; dizer que sentiremos saudades é muito óbvio... Bom diante de tanta
dificuldade com as palavras, queremos, no mínimo, nos despedir com nosso mais
sincero muito obrigado: por sua dedicação, carinho, compreensão,
amizade... Enfim, teremos contigo uma eterna dívida de gratidão!
À professora Luciana Gazzola, com carinho.
Pedro Lança Gomes
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
Musa das galáxias
Acontece que, de todos os
momentos,
De todas as palavras, vãs e
tardias,
A cada pensamento, longo e
insensato,
Foram beijos, lágrimas,
heresias...
E ao sonho do teu luar
Adormecem os meus anseios,
Novos, cheios, pobres estrelas
cadentes,
Cismam jurar aos céus devaneios!
Caem pela paz em teus olhos!
Descobrem sua nudez,
constrangidas,
Menor que teu sorriso!
Tímidas, correm ao teu encontro.
Deixam a vida plenilúnia do
firmamento
Para buscar em ti, enfim, a
completude...
Pedro Lança Gomes, naqueles
momentos em que estudar, definitivamente, não é uma prioridade... rs
domingo, 25 de agosto de 2013
Ao deitar-se
É, pequena, foi-se o toque!
Pensou-se ser o enfoque
Das mãos que debandavam por ali.
O norte que buscava dividir,
Chegou-se aos sonhos ao sorrir:
Um suspiro breve, três cochichos...
Entre olhos e arrepios, lábios cheios.
Sentem-se só os seios sem o afago de um beijo.
Caminhos soltos, esses, perdidos em dois céus!
Adapte-me ao teu douillette meus vœux,
Que a língua já não fala por si.
Perdeu-se...!
E em toda lua, em toda noite nua,
Escorrem nos lençóis os pés trocados,
Ouve-se as brisas, que escoam tenras
É o calor que invade os ventres teus,
O mesmo que o amor enterra aos prantos meus
Bem fundo, no peito aconchegado de insossegos,
Na mente encerrada de desejos,
A voz infundada de prazer...
E o toque... Ah, o toque!
Esse é sincero como a flor,
Que nasce em esmero e sem pudor,
No jardim insaciável do meu coração!
Pedro Lança Gomes
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
Declarações
Pequena, é assim que te vejo:
Bela, como a manhã das flores
Louca, como quem sabe amar
Frágil, como dois olhos prestes a chorar
Leve, como a areia beira-mar
Misteriosa, como o segredo da vida
Valiosa, como a felicidade
Sonhadora, como a liberdade
Saudosa, como a infância
Precisa, como um passo
Decidida, como uma flecha que abandona o arco
Não engole a lágrima
Não entala a alma
É obra do Deus que fez o sol
Luíza, como a luz que sempre deveria ser
Resplandece em tudo o que puder tocar
Depois descansa, delicadamente espera
O dia no qual o sol será o seu lugar.
Pedro Lança Gomes
domingo, 16 de junho de 2013
Lágrimas de despedida
O tempo diz muito a respeito dos sentimentos, a distância, mais ainda. Isso por um motivo bem simples: enquanto o tempo traz a falta, a distância traz a saudade.
A ausência de expectativas relacionadas ao encontro torna tudo sempre muito doloroso. Na medida em que as recordações suaves e a nostalgia começam a dar nomes aos suspiros, o que era um desconforto passa a tomar proporções melancólicas e que beiram a angústia. Surge então uma lacuna factual e afincada ao pensamento. Esta pode parar de crescer, mas nunca de incomodar. Tal espaço só pode ser preenchido de duas maneiras: a primeira, com o que originalmente o ocupava; a segunda, com a substituição de algo que o ocupe de forma semelhante. Sendo assim, muitos encontram uma forma de se completar, embora sempre vá existir os que não o farão ou jamais conseguirão.
Segundo Freud, o que não vira palavra vira sintoma. Talvez o que não vire saudade, vire palavra. Muito do que é escrito a respeito de tal sentimento pode ser acepcionado de maneira diferente por cada indivíduo. Ora compreensível, ora non sense, mas sempre dizendo muito mais do que pode expressar: assim é a palavra do que espera.
Laços rompidos, ou desfeitos, entre pessoas podem ter as mais variadas conotações: para uma jovem que terminou seu namoro recentemente, o sentido é algo entre a solidão e a dor da separação; para um senhor de 70 anos que perdeu a esposa, algo como perder mais da metade de si; para o que perde um amigo, um choro sem ombro; para o que perde a mãe, um muito obrigado que não pode mais ser ouvido; para quem perde um filho, algo que não pode simplesmente ser descrito. São resultados de incansáveis permutações que nos levam a viver não por nos mesmos, mas pelo que significamos e pelo que significam para nós.
Por outro lado, existem as memórias deixadas por todas essas pessoas que nos são caras, e é através delas que a saudade passa a se tornar gratidão: pelos sorrisos, lágrimas, suspiros, sonhos, histórias, aprendizados, inspirações e tudo quanto possa ser agradecido. E, enquanto houver lembranças, não haverá o que nos faça pensar que viver não tenha valido a pena.
Graças à esperança, o que nos une em sinceridade à alguém pode dar a volta ao mundo, pois os laços são longos, e o amor é forte.
Pedro Lança Gomes
Assinar:
Postagens (Atom)