Opiniões, críticas, reflexões, comentários e saudações serão extremamente, e sempre, bem-vindos

terça-feira, 4 de julho de 2017

Agradecimentos gerais

Os últimos passos de uma longa jornada trazem consigo, invariavelmente: satisfação, arrependimentos, aprendizados e saudades. Em dias assim, a prata da voz não expressa o ouro do coração.

Próximo à realização de um sonho, o maior sentimento que preenche o coração do homem deve ser sempre o de gratidão. Antes era uma criança cheia de vontades e planos, mas perdido diante de um mundo tão farto.  O segundo muito obrigado é para meus incondicionalmente amados pais, por me ensinar o caminho do qual jamais deveria desviar, por me amparar no sofrimento e tomar por seus propósitos a minha felicidade, por me amarem, de forma tão intensa, que uma vida inteira de agradecimentos não seria o suficiente. O primeiro muito obrigado, e não poderia ser diferente, destina-se ao grande autor, Deus, que me concedeu o dom precioso da vida, sem o qual não faria sentido qualquer outro. Tenho duas lindas Luízas em minha vida: por uma levo inefável carinho fraternal de dias, juntos, crescendo e aprendendo a viver; com outra divido a esperança do futuro, com a continuidade da belíssima história de amor que escrevemos. Ao meu avô, agradeço pelos incríveis diálogos e por ser tamanha inspiração; à minha família, por ser amparo em todos os momentos.

Grandes amizades foram construídas, e a elas eu devo cumplicidade, perdão, paciência e alguns dos melhores momentos da minha história. Também grandes mestres eu tive, quem me ensinaram desde os mistérios do corpo humano até a complexidade do dia a dia como médico. Formou-se ali outra grande família, da qual tenho muito orgulho de pertencer.

Agradeço a equipe de cirurgia do Hospital Cristiano Machado por me acolher com tanta compreensão e abrir novos horizontes de entendimento. Agradeço também a equipe do CTI do Hospital Vera Cruz por contribuir substancialmente para minha formação através da proximidade com a vida e respeito à morte.

Por fim, carrego todos em meu coração, e não deixo lágrimas, afinal as boas lembranças não morrem, ficam encantadas.





Pedro Lança Gomes

Agradecimento a Deus

Obrigado pelos dias cansados, pelo tanto ouvir da dor, pelos vários abraços não dados. Obrigado pelas noites em claro, sonhando acordado pelo fardo do saber. Obrigado pelo tempo em que tivemos o privilégio de abnegar-nos em prol de um bem tão nobre. Por, nesse caminho estreito e tortuoso, termos trilhado sem nos desviar. Obrigado, Pai, por cada sorriso bem dado, cada lágrima compartilhada e sofrimento aliviado. Agradecemos pela fé que protegeu nossos corações do frio da indiferença e do silêncio da ignorância. Aprendemos primeiro de Ti, Médico dos médicos, a arte de curar vez ou outra, atenuar quase sempre, e jamais deixar de consolar. Ao autor da vida, nossa mais sincera e eterna gratidão.





Pedro Lança Gomes



quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Monólogo do homem póstumo



Ao usar-me em vossas elucubrações, buscando em mim compreender mais de vós, peço-vos que me olhem, antes, nos olhos. Estes contemplaram toda sorte de maravilhas, horrores, bênçãos e desgraças. Choraram, sorriram, e hoje repousam no último adeus. Peço-vos também que peguem em minhas mãos e sintam o carinho e a aspereza que um dia carregaram. Vedes meu coração? O mesmo alimentava cada pedaço de sonho em mim - lembrando-me porém, a cada batida, que o tempo, inexorável, o consumia. Meus pulmões, ora cheios do fôlego da vida, suspiraram mais paixões que desgostos! Deram-me a graça singela das últimas palavras.

Sabe, com o tempo vereis que não somos assim tão diferentes. A humanidade, crua, despreza aparência, moral, riquezas e poder. Por dentro somos todos iguais, e isso pode, as vezes, soar amedrontador. O que vedes em mim é o fim de todos e de tudo, é também como sereis quando vossas alma abandonarem a janela dos olhos. Jamais se esqueçam, portanto, de dispensar tais futilidades ao tentar desvendar vossos mistérios acadêmicos em mim.

Espero que sejais verdadeiramente gratos pelo privilégio de me terem para perpetuar o avanço de vossos conhecimentos. Saibam que não há honra maior que, mesmo após a morte, contribuir para uma missão tão nobre. Nunca terei a chance de agradecer, mas vos imploro, em um apelo um tanto egoísta, que façam do vosso trabalho a minha gratidão.





Pedro Lança Gomes

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Amizade é isso

Sim, venho falar a respeito dela, mais uma vez, pois ainda não esgotei minha busca por seu real sentido. De onde ela vem, ou onde a achamos, talvez permaneçam grandes mistérios. Seu fim é cego ou mesmo não existe. Logo, não tenho palavras para descrevê-la, mas sim para desenhá-la.

Era quinta-feira e a prosa mais parecia uma folha de papel rabiscada, cheia de sentidos perdidos, olhares descompassados e ideias tangenciais. Ouvia-se o ruído seco das ferraduras lascando as rochas, do vento bailando as árvores, da água lascando a terra, do tempo bailando o sol. Uma desatinada e insossa sinfonia, regida pelo silêncio dos homens que ali viandavam. O tema era vida: cada um com a sua. Comentários esparsos e palavras arriscadas esboçavam o início do que seria uma jornada deslumbrante, mas era o silêncio que melhor preenchia a lacuna dos verbos.

Passos que, embora distintos, confundiam-se, marcavam lentamente o solo húmido e lamacento. Uns andavam à frente, outros, mais modestos, mantinham ritmo mediatário. Por fim, havia os que, em movimentos suxos, remetiam ao entardecer. Eram cinco ao total, ora seis. Os dois mais adiantados talvez fossem muito semelhantes, o que os fazia completamente diferentes, como dois objetos do mesmo tamanho e cor, mas apenas metaforicamente comparáveis. Outros três, ora estranhavam-se em encontros, ora debandavam-se em concordâncias. Um último era só, mas todos ali eram menos sem sua companhia.


Seguiam sem saber que um dia, eventualmente, o sol iria se por e cada um teria um lugar para  o qual retornar. Enquanto houvesse luz do dia, apesar da fadiga, a força compartilhada seria sempre maior que os fardos.

Anos que marcaram as saudades, em caminhos distintos porém fartos de encruzilhadas - trechos compartidos em determinados momentos, seguindo determinados a grandiosos destinos.

Deixam marcas, fazem falta, mas não terminam em lágrimas, afinal, as boas lembranças não morrem, ficam encantadas!





Pedro Lança Gomes

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

O passo adiante

Acordei, e já era a chuva de dezembro que amansava as folhas da mesma castanheira. Suas raízes, cansadas, ainda sustentam em galhos fortes e vivos novas folhas e manhãs. Queria eu também um belo ninho em seus ramos… repousaria os olhos em sombra fresca e a alma alimentaria-se do mais puro fôlego da vida.

Não ando à busca de motivos, mas de palavras. Já tenho em mente e coração centenas de discursos inflamados e desconexos - em ideias que se perdem antes mesmo de encontrar um sentido. Porém, vem todas de encontro ao mesmo propósito e anseio, revelando à alma dizeres de muita esperança e fé: os ventos trouxeram dos céus semente guardada pelo Pai.

Pobre do homem que busca o amor com seus próprios passos, pois mais fácil seria pisá-lo em sua ignorância que reconhecer algo que jamais compreendeu. Deus sopra vida em almas já mortificadas pela dor, e somente após amanhar, caprichosamente, entende-se o que tem nas mãos para cultivar. Cresce então, com extraordinária delicadeza, a realização de um sonho a dois.

Sabe-se lá o por que de um dizer singelo carregar, para uns, sentimentos ora confusos, ora extremamente claros, que crescem e minguam, que nascem e morrem, que chegam e partem. Para mim, no entanto, sempre teve a mesma leveza da vida através da paz de Cristo Jesus. Se olhos se encontram, se mãos se entendem, se passos se unem, não há mais o que tentar expressar. Não há mais o que tentar dizer.

Amo você!


Casa-se comigo?





Pedro Lança Gomes, 31 de Dezembro de 2015.

sábado, 27 de junho de 2015

Tão dura, tão áspera, tão injuriosa palavra é um não!

Acordei um dia e queria voar. Olhava para o céu, pelas falhas da cortina: via pássaros, via nuvens, via aviões e discos voadores. Faltava alguma coisa... (sempre falta alguma coisa). Resolvi completar! Tirei a coberta, tirei o lençol, tirei as meias - fazia muito frio, mas todo o meu corpo parecia, cada vez mais, preso dentro de todo aquele pano. Levantei-me e abri, definitivamente, a janela. O vento levantou meus cabelos, e, foi ali que, de olhos fechados, ouvi o farfalhar das fenestras com um tom de liberdade. Voei, voei, voei... e nunca mais toquei o chão da mesma forma. Nunca mais toquei o chão. Nunca mas toquei. Não voltei.



Belo Horizonte, 2011




Pedro Lança Gomes

Reminiscências de inverno




Sim, vez ou outra… sonhei em passar
a vida de várias estradas,
sozinho, sem rumo sem nada,
seguindo os passos do sol.

E em cada esquina do tempo,
em cada nova jornada,
pobre dos olhos, amargos,
viviam à luz da ilusão

de poucos sorrisos cansados,
de vários deitares amargos,
à noite os retalhos no chão.

Clamando aos céus pelo abrigo
do frio deixado em razão
de muitas palavras perdidas.

Surda a solidão!
nem mesmo consolo me fora
a tão sonhada liberdade...
sozinho, e em vão!




Pedro Lança Gomes

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Soneto de dois

Tempo de conversas casuais.
Tempos, conversas atrás.
Momento de carinhos ausentes
E olhares de saudades inssonais.


Falo a língua da falta,
E a fala que ecoa a distância
Ensaia a lágrima perdida
Na essência do silêncio


Do tudo o que não me lembrei,
De tudo o que não vivi,
De tanto que não insisti


No sonho de tanto perder
Os olhos em toda ternura
Do tudo o que emana dos teus...



                                                Outono de 2014, NY.




Pedro Lança Gomes

domingo, 31 de agosto de 2014

Divergent inequality



For decades, gender inequality is an issue that has been reverberating through societies. This issue can be divided in two big fields. The first one is economic inequality, and the second, social inequality. As women’s behavior varies in according to what culture they are from, maybe the root of this problem could be cultural. In order to examine this possibility, two interviews were performed in Manhattan, New York, asking people how gender inequality occurs in their countries and in which area – business, social relationships, family – it happens more often.

The first interviewed person was Charlotte, a 20 year old American girl that studies art and design. According to her, gender inequality is very often found in North America. She used to go out at night to pubs and parties, and said that she is usually judged because of the clothes she wears. “People think that women dress just to provoke men, and that it is our fault if we are abused or even raped,” she said. It is estimated that the prevalence of women being raped (number of women that experienced rape at least one time in their lifetime) in the USA (United States of America) is between 15 – 20%. Charlotte thinks that this is because of some women behaving associated to the sexist society where we live, and not because of the way some women dress. “Men already see women as sexual objects, and because of some women’s behave, they objectify themselves even more” – she said. This means that if women want to change their image in society, they need to stop accepting and practicing objectifying habits.

While Charlotte was being interviewed, her mother, Mrs. Allen, appeared and took the opportunity to say her opinion. According to her, the biggest problem in American’s gender inequality is the prejudice that women have on each other. “They do not accept women that choose not to live objectifying themselves” – she said. She also said that in her job there is no woman working as managers or in high-level administrative positions. “It is very hard to get a job if you are a woman and have more than one child. If you succeed, you will probably make less money than a man even if doing the same job.” – said Mrs. Allen. A research did with 9,300 Americans showed that working women today earn an average of 80 cents for every dollar earned by their male counterparts, and it is being relatively consistent like this since the beginning of 21st century.

The second interviewed person was Luiza, a 23 year old Brazilian girl that studies Medicine. According to her, gender inequality in Brazil is also very frequent. “In my country, most of the women are always seen as weak and vulnerable” – she said. She related that women make less money than men do, even if working in the same jobs, nevertheless, there are more women working in domestic services for their families them in other jobs. As it is showed by IBGE (Brazilian Institute of Geography and statistics), 56% of the women in Brazil are unemployed. Seventy eight percent of the 44% that actually work earn less than five minimum salaries, 18% earns between 5 and 10 minimum salaries and only 4% earn more than 10.

“In families, men have their roles and women theirs. I do not see this as gender inequality, but as gender differences. We are not the same.” – said Luiza. Brazilian is a predominantly Christian country, and it has great influences in the way people think and behave. According to the Holy Bible, men have the duty of providing money and food to their houses and women to be submissive to their husbands. As the USA is also a Christian country, maybe it could be one of the reasons why genders have so close behaving in both countries.


Gender inequality or not, women and men are treated differently in many cultures around the world. Some of these differences could be disastrous, and some of them could help in the balance of social relationships. However, it is unquestionable that women suffer prejudice in many situations, and it is important to identify and change them. There will always be differences between genders, but inequality must be corrected to give to women the rights they deserve as much as men do.  

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Diário da Fé

Acordei e, de repente… Lembro-me de alguns sonhos, alguns papéis, algumas lágrimas e só! O mundo é outro e eu o mesmo mundinho de sempre. Sabe, se eu fosse escrever minha vida algum dia, teria poucas páginas: primeiro porque não me lembro de muita coisa, segundo porque me importo com pouco do que lembro. Mas, vez ou outra, talvez uma história valha a pena contar.


Capitulo 1 – Tempo

Sou rocha, e minhas palavras ondas do mar. Algo de alguám perdido nas próprias memórias.

Eram cinco horas da manhã e as coisas voavam aleatórias por entre os dedos. As nuvens dançavam os olhos que faziam círculos no infinito do céu da boca do estômago… E nunca entendi por que raios acordei com as mãos babadas e o queixo dolorido, feito uma criança que tenta engolir a propria cabeça! Sem despertador ou luz, e nenhuma vontade de pedir mais cinco minutos! Os sonhos perdem o significado quando estão sendo realizados.

Era uma madrugada monótona de junho. Não havia nada que a fizesse parecer mais especial. Porém, a garoa era lenta, o vento era triste e o céu, saudoso. Nao é o mundo que muda, somo nós. Era momento de falar o minimo e fazer tudo o que não faria sentido mais tarde! Muito carinho e cuidado, poucas lágrimas, tanto adeus, tanto… que não tinha mais despedidas. 

A força contrária à distância é a esperança, o que alimenta a alma é a fé e o que sustenta os passos é o amor. O maior desses continua sendo o amor. Repetir mentiras para que todos também mintam para si e algo confortante, mas hora ou outra a verdade vem à tona. Dormi, acordei, dormi, sonhei que acordei, e acordei dormindo. Fora tão pouco tempo… parecia só mais um sonho.




Pedro Lança Gomes

sexta-feira, 25 de julho de 2014

All we can say

People are always trying to improve their way of communication. Since the Stone age, millions of years before, our ancestors were already trying to communicate to each other using draws, gestures and guttural sounds. Nowadays, thanks to the development of new technologies, there are many ways of communication, like social websites. Ironically, though tools like this last one were created to facilitate social interactions, they are contributing for a less social society. There are two main reasons for that: Reduced needing of face-to-face contact and the opportunity to hide behind a computer screen while saying an opinion.

An individual rarely needs to deal with another person along his day-to-day activities. That is because even the most simple day-to-day tasks can actually be done by using the internet: paying bills, buying food or even taking classes. It facilitates our lives by saving more time to more important tasks, like working and taking care of the family. On the other hand, It makes the social interaction less personal and less frequent. As people are getting used to this way of living, social skills will become more and more weak, until the day when maybe any social contact will not be necessary for living, creating a new kind of "Stone age".

Most people are afraid to declare in public their opinion about something, to ask questions and to tell people the way they feel. It is always a challenge to face an audience when being proponent is needed, however, these opportunities help people to develop sophisticated ways to express themselves. Asking questions puts people in prove because they need to expose themselves and be humble. Though this might be hard, helps people to construct solid knowledge. Maybe tell someone how we are feeling is the most difficult of these three examples, since some feelings just cannot be expressed only by words. People need a closer interaction, as face-to-face, to understand each other; the closest as possible to say "I love you".

Avoiding direct social interaction, the relationship that once was person-to-person is becoming more like person-to-machine-to-person, or even person-to-machine-to-machine, or person-to-no one-to... exactly, an incomplete sentence.

The new technologies are tremendously helpful. They were developed to help people in many fields of their lives, as in locomotion and communicating. However, they did not came to replace humans abilities but to improve them. The best way to use technology without making people less social is remembering that It is a tool, not part of out bodies, and that we control them, not the opposite. It is easier to understand a touch than the social media's "Stone age" guttural sounds.




Pedro Lança Gomes

domingo, 11 de maio de 2014

Não sei quem és

Passou e, de repente, silêncio. Dos lábios, nem as expressões! Calou tão profundo que talvez jamais recupere as palavras. Como em um poema, despedaçou as horas que contava: Parou no centro. Prendi o ar.

Se não te pertencem a mente e o coração, não cabe em uma vida estar só. O mundo é pequeno demais para um e grande o suficiente para dois. Como em uma sentença, condenou-me a amar.

Ora, que bela sentença a vida nos da! Tivesse ela ao menos o bom senso de explicar por qual alma o tempo deve parar. Já parou de desgosto pelos passos perdidos dados, de loucura pelos vários sorrisos cansados, de preguiça por tantos palpites errados. De tanto amar ao contrario, parou de parar.

Mas parou ao te ver. Parou os dias, parou a chuva, parou a Bahia, parou o carnaval, parou a guerra, parou o Oriente, parou a morte, parou a sorte, parou o presente. Parou o sono, virou o sonho, cresceu o sol, criou o tempo. Uma lagrima, duas, três... Quatro sorrisos.

Preso em palavras está tudo o que poderia ser dito de ti, mas não podem ser faladas, escritas ou cantadas: São elas vividas a cada por do sol ao teu lado, quando a vida vem, mansinha, enfeitar o céu com esperança.

E se os olhos se estranham, é talvez porque não se encontram. Mas o intento é demonstrar, já que a vida não explica mesmo...



Pedro Lança Gomes
(E a noite mais mal dormida de agosto!)






domingo, 13 de abril de 2014

O sabor do sol

Quando as manhãs não são o suficiente,
Quando o tempo devaneia sem sentido,
E até os sorrisos se abrem descontentes,
Os céus não remetem ao dom garrido.

Tido outrora do que se lembrar,
Foi-se o desejo de imaginar,
Como seria uma vida inteira
Buscando no céu as estrelas do mar!

Lama, chuva, pés descalços,
Sonhos, futuro, descasos...
Olhos maiores que o mundo!

Calos, sapatos, enfado,
Angústias, caminhos traçados...
A mente mais longe que tudo!



Pedro Lança Gomes

domingo, 6 de abril de 2014

Soneto da piedade

Logo ele, vida,
Que passou da idade de sonhar,
Que não conta mais as estrelas,
Que perdeu para as ondas do mar.

Logo ele, miserável,
Que abafou os cantos da alma,
Que esconde as cores dos olhos,
Que esqueceu o sabor das favas.

Logo um ser anacrônico,
Logo ser um atônito,
Torna-se então revoltado!

Habituou-se às duras mazelas,
Deixando de lado a dor.
Coitado, jamais esperava ele pelo amor...



Pedro Lança Gomes

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Homenagem a uma verdadeira mestra




Impressões são apenas mais uma prova de que as pessoas tem muito mais a oferecer do que elas mesmas imaginam. Ao nos encontrarmos pela primeira vez, pensamos ter conhecido mais uma professora: boa ou ruim; justa ou ignorante; honesta ou picareta; empenhada ou indiferente...  para a maioria não tínhamos resposta, mas com certeza mostrava ser dona de um bom humor incontestável! Não conquistamos a sua simpatia logo de cara, mas ela, sem se dar conta, já nos havia cativado!

Há pessoas que vivem para lembrar aos outros o quanto acham que são grandiosas, há ainda quem se iluda com a falsa ideia de que são melhores do que outros. A senhora, Luciana, constrange-nos com sua humildade, surpreende-nos com sua simplicidade, ensina-nos com a sua gentileza. A elegância é tanta, que há até os que esbocem uma paixão comportada... Logo a senhora, tão genial, tão brilhante, com mais motivos do que qualquer um aqui para se gabar, trata-nos com equidade e nos ouve como quem escuta um amigo. Sem dúvida fora essa nossa maior lição.

E, enquanto vemos tantos reclamando por tão pouco, a senhora nos da outra lição: Independentemente da adversidade que esteja vivendo, carrega no rosto o sorriso de quem nunca desiste, e, vez ou outra, quando não há palavras para expressar, deixa que as lágrimas sejam tão sinceras quanto precisem ser. Sua vida é também, para todos os que talvez se esqueçam, um exemplo de amor!

Dizer que nos espelhamos na senhora é pretensão da nossa parte; dizer que a admiramos é redundância; dizer que gostamos da senhora é muito pouco; dizer que sentiremos saudades é muito óbvio... Bom diante de tanta dificuldade com as palavras, queremos, no mínimo, nos despedir com nosso mais sincero muito obrigado: por sua dedicação, carinho, compreensão, amizade... Enfim, teremos contigo uma eterna dívida de gratidão!



À professora Luciana Gazzola, com carinho.



Pedro Lança Gomes 


quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Musa das galáxias

Acontece que, de todos os momentos,
De todas as palavras, vãs e tardias,
A cada pensamento, longo e insensato,
Foram beijos, lágrimas, heresias...

E ao sonho do teu luar
Adormecem os meus anseios,
Novos, cheios, pobres estrelas cadentes,
Cismam jurar aos céus devaneios!

Caem pela paz em teus olhos!
Descobrem sua nudez, constrangidas,
Menor que teu sorriso!

Tímidas, correm ao teu encontro.
Deixam a vida plenilúnia do firmamento
Para buscar em ti, enfim, a completude...




Pedro Lança Gomes, naqueles momentos em que estudar, definitivamente, não é uma prioridade... rs

domingo, 25 de agosto de 2013

Ao deitar-se


É, pequena, foi-se o toque!
Pensou-se ser o enfoque
Das mãos que debandavam por ali.

O norte que buscava dividir,
Chegou-se aos sonhos ao sorrir:
Um suspiro breve, três cochichos...

Entre olhos e arrepios, lábios cheios.
Sentem-se só os seios sem o afago de um beijo.
Caminhos soltos, esses, perdidos em dois céus!

Adapte-me ao teu douillette meus vœux,
Que a língua já não fala por si.
Perdeu-se...!

E em toda lua, em toda noite nua,
Escorrem nos lençóis os pés trocados,
Ouve-se as brisas, que escoam tenras

É o calor que invade os ventres teus,
O mesmo que o amor enterra aos prantos meus
Bem fundo, no peito aconchegado de insossegos,
Na mente encerrada de desejos,
A voz infundada de prazer...

E o toque... Ah, o toque!
Esse é sincero como a flor,
Que nasce em esmero e sem pudor,
No jardim insaciável do meu coração!



Pedro Lança Gomes

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Declarações



Pequena, é assim que te vejo:
Bela, como a manhã das flores
Louca, como quem sabe amar
Frágil, como dois olhos prestes a chorar

Leve, como a areia beira-mar
Misteriosa, como o segredo da vida
Valiosa, como a felicidade
Sonhadora, como a liberdade

Saudosa, como a infância
Precisa, como um passo
Decidida, como uma flecha que abandona o arco

Não engole a lágrima
Não entala a alma

É obra do Deus que fez o sol

Luíza, como a luz que sempre deveria ser
Resplandece em tudo o que puder tocar
Depois descansa, delicadamente espera
O dia no qual o sol será o seu lugar.



Pedro Lança Gomes

domingo, 16 de junho de 2013

Lágrimas de despedida





O tempo diz muito a respeito dos sentimentos, a distância, mais ainda. Isso por um motivo bem simples: enquanto o tempo traz a falta, a distância traz a saudade.

A ausência de expectativas relacionadas ao encontro torna tudo sempre muito doloroso. Na medida em que as recordações suaves e a nostalgia começam a dar nomes aos suspiros, o que era um desconforto passa a tomar proporções melancólicas e que beiram a angústia. Surge então uma lacuna factual e afincada ao pensamento. Esta pode parar de crescer, mas nunca de incomodar. Tal espaço só pode ser preenchido de duas maneiras: a primeira, com o que originalmente o ocupava; a segunda, com a substituição de algo que o ocupe de forma semelhante. Sendo assim, muitos encontram uma forma de se completar, embora sempre vá existir os que não o farão ou jamais conseguirão.

Segundo Freud, o que não vira palavra vira sintoma. Talvez o que não vire saudade, vire palavra. Muito do que é escrito a respeito de tal sentimento pode ser acepcionado de maneira diferente por cada indivíduo. Ora compreensível, ora non sense, mas sempre dizendo muito mais do que pode expressar: assim é a palavra do que espera.

Laços rompidos, ou desfeitos, entre pessoas podem ter as mais variadas conotações: para uma jovem que terminou seu namoro recentemente, o sentido é algo entre a solidão e a dor da separação; para um senhor de 70 anos que perdeu a esposa, algo como perder mais da metade de si; para o que perde um amigo, um choro sem ombro; para o que perde a mãe, um muito obrigado que não pode mais ser ouvido; para quem perde um filho, algo que  não pode simplesmente ser descrito. São resultados de incansáveis permutações que nos levam a viver não por nos mesmos, mas pelo que significamos e pelo que significam para nós.

Por outro lado, existem as memórias deixadas por todas essas pessoas que nos são caras, e é através delas que a saudade passa a se tornar gratidão: pelos sorrisos, lágrimas, suspiros, sonhos, histórias, aprendizados, inspirações e tudo quanto possa ser agradecido. E, enquanto houver lembranças, não haverá o que nos faça pensar que viver não tenha valido a pena.

Graças à esperança, o que nos une em sinceridade à alguém pode dar a volta ao mundo, pois os laços são longos, e o amor é forte.



Pedro Lança Gomes

















domingo, 23 de dezembro de 2012

Palavras e passos


No silêncio, as palavras brotam como gama cinza. Uma após uma, nascendo sem sentido, crescendo sem rumo, morrendo sem história. Sem flor, sem cor, sem vida, vão-se todas as raízes: esmorecem ao sol escaldante da ignorância. São como as ondas do mar, que crescem, quebram e partem, daqui para nunca mais. Cansam o próprio tempo, perdem a razão. Já se foram os momentos, já se foram os sorrisos, já se foram os sonhos. Fica o silêncio.

Mas mesmo nessa confusão de sons que envolve o silêncio, vez ou outra, na estação certa, sopra uma brisa úmida de esperança e raios do sol se inclinam despertando a vida. E as palavras que antes não tinham propósito agora tem um novo vigor e servem de alimento, formam tramas que se estendem por dimensões, antes, inalcançáveis, aprofundam-se as raízes que bebem águas fora das fontes do tempo. Nasce a poesia.



Pedro Lança Gomes, Pedro Augusto Guarani Kaiowá.